A nobreza da perdição

Nascemos com uma mão
já destinada a
perder o jogo, assim
não sentimos faltas
nem dissabores
ou nos roubam o tempo
ou o desperdiçamos

o conceito transcende-nos,
tornámo-nos especialistas
em operações banais,
operando com brio
campeões da
súbtil imortalidade
escondida sob
sabores quotidianos
duma mão ou
dum copo,

existir sempre é
desdenhar promessas e
corromper ideais
nossos ou universais
facínora doméstico
arquitecto de
universos interiores,
o espelho reflecte todos
os milhões de combinações
de imagem de uma falsa
fragmentada realidade,
todas menos a própria
por isso o
quebramos e
renegamos e
juntos
juntos
juntos
aprendemos a fechar
os sentidos, putas
viciadas em heroína
sem ressacar por
não faltar a dose e
casamos

rei e rainha
loucos
governantes
sem reino
rei sem trono
rainha sem dono
recusamos palácios
para correr terras
em busca da inmentira
feia e
dolorosa
desmascara-nos:
velhos
sujos
ruins
feios
disformes
disfuncionais
solitários
podres e moribundas carcaças,
oferecemos o resto
do nosso tempo por
amor, um acto de
agradecimento pela
vida(morte)vida(morte)
siameses da existência
regressamos sem ter para onde
párias e humanos
inexequíveis

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