deslocalização

na noite entra-se
numa porta
de um bar
num copo
numa cama
numa mulher,
adormeço e
acordo séculos depois
na realidade
deformado pelo
silêncio, da qual
nada reconheço.

Ergo-me cambaleantemente
desenquadrado e
oiço ao longe na
forma de agudos ecos
a preencher o vazio da
minha cabeça,
uma sinfonia de carris que
nunca cessou de
embalar
vejo o mar de garrafas
e roupa, circundante
a janela que parte ao
meio a paisagem,
cujo ar fresco atrai
para inocentes dias que
talvez nunca
tenham existido.

tento recordar se
perdi algo no processo,
descubro que
não possuo memória de
jamais ter possuído
algo.
escorrego do interior
para fora, ansioso pelo
ar da manhã e
deixo-me desistir por
não saber morrer
depressa, apenas morrer
um pouco
todos os dias
em todos os sítios
em todos os corpos e
cair para todo o lado
onde não estive
e não poderei ficar mais.

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