O naufrágio da matéria

Deitei-me no horizonte
para escutar o vento das nuvens
encostei o meu cabelo
ao teu tronco nu
e o sol amarelo
contra o azul do céu
tiveram o paladar de infância
da qual só me restam
cores e sabores,

sabia que morreria
mas não o porquê
da brisa fresca na minha pele
me dar a certeza de ser

imortal,

então
bebo mais uma cerveja
porque sou o Senhor do Tempo
e esculpo sons que o congelam
esticam e
partem,

corramos todos
de pés nus pela areia
para furar a água,
este minuto é só
nosso
pois expulsámos todos,

nunca nascemos nunca morremos não fomos
e nunca seremos

NADA

o chicote não fura a nossa pele
damos passos maiores que o mundo
e tudo se desvanecerá
mas tão longe…
como a sobriedade,

não sabemos como a achar
não sabemos como lidar
com uma realidade
que só tem estranhos
sonhos
irreconhecíveis para os sentidos

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